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quarta-feira, 20 de junho de 2012


Conversando com minha mãe sobre meu cansaço e sobre minhas pesquisas em Dança, eis que ouço meus próprios argumentos, quando ela me pergunta o porque das coisas. Engraçado como " ouvir a se mesmo" faz a gente entender melhor uma porção de coisas. Agradeço a minha mãe por seu interesse  em saber sobre o que faço, seja escrevendo, pesquisando ou apresentado, ela tem um modo bem particular de me despertar para as coisas certas, no momento em que preciso ter uma maior lucidez. Sei que torce por mim e mesmo que não absorva tudo o que eu falo ou não vá na maioria das vezes a minhas apresentações, eu sempre sinto que conto com sua compreensão e com o seu amor. Mudar os rumos de minha vida foi uma escolha muito pessoal e por vezes solitária, e no ramo das artes ainda existe muita insegurança por parte dos pais com relação aos filhos e se estes vão conseguir seu lugar ao sol. Felizmente, não tive muito problemas com relação a isso e me sinto tranquila por sentir cada vez mais que estou no caminho certo, de estar vivendo aquilo que eu quis pra mim.


E nas danças populares eu sinto toda a força que acredito que a vida possui. Alegria, cor, beleza. Me encanta a música da rabeca, do pife, a dança dos homens e mulheres com a pele marcada de sol. Adoro quando posso partilhar de uma roda de coco ou de uma ciranda, com pessoas que ali estão  para celebrar, para trocar com o outro; trocar olhares, sorrisos, energia. Voltar o olhar para estes saberes e para as delicias das tradições brasileiras, sejam elas de que parte for, me trazem a sensação de pertencimento, de identidade.